Blockchain no combate às fake news

Fake news estão dando dor de cabeça tanto para o governo quanto para os cidadãos, entretanto, blockchain pode se mostrar útil na verificação da veracidade da informação. Artigos e outros conteúdos baseados em informações falsas geralmente atraem mais espectadores do que notícias factuais, um benefício para quem vende a matéria, mas um problema para quem está envolvido na informação. Por exemplo, as 20 principais notícias falsas sobre a eleição presidencial dos EUA em 2016 receberam mais envolvimento no Facebook do que as 20 principais notícias fornecidas pelos principais meios de comunicação, de acordo com um estudo.

Os sites que divulgam notícias falsas usando contas controladas por bots geralmente são hospedados de forma anônima, tornando extremamente difícil encontrar os autores.

Em agosto, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (DARPA) começou a desenvolver um software que pode descobrir notícias falsas escondidas em mais de 500.000 stories, fotos, vídeos e clipes de áudio. E em setembro, o Facebook iniciou o Deepfake Detection Challenge para desenvolver ferramentas de detecção de fake news. O desafio é organizado em parceria entre Microsoft, Amazon, além de acadêmicos de Oxford, MIT, Cornell Tech, UC Berkeley e outras escolas.

Se bem-sucedidos, os esforços da DARPA, do Facebook e de outros países “colocarão na lista negra” o conteúdo falso para impedir que cheguem ao público e criarão um algoritmo que autentica e rastreia o movimento do conteúdo para as “listas brancas”, garantindo sua procedência.

Avivah Litan, vice presidente de pesquisa da Gatner, afirma que a tecnologia Blockchain se destaca no suporte a esse caso de uso, pois permite uma ‘versão única compartilhada da verdade’ entre várias entidades, com base em dados imutáveis ​​e ações que podem ser rastreadas.

O New York Times é uma das primeiras grandes publicações de notícias a testar blockchain para autenticar fotografias de notícias e conteúdo de vídeo, de acordo com a Gartner. A equipe de pesquisa e desenvolvimento do jornal e a IBM fizeram em parceria um projeto que usa o Hyperledger Fabric para armazenar “metadados contextuais”. Esses metadados incluem quando e onde uma foto ou vídeo foi gravado, quem a tirou e como e quando foi editada e publicada.

O Blockchain, explicou o jornal, atuará como um banco de dados que não está alojado em um conjunto de servidores próprios e operados por uma entidade, mas sim em muitas entidades e servidores que são mantidos e atualizados simultaneamente, tornando os registros de cada alteração rastreáveis.

Com o sucesso dessa iniciativa, mais uma aplicação de blockchain mostrará o seu potencial perante empresas e governos, aumentando a sua maturidade e difundindo sua aplicabilidade.

 

Por Bruno Medeiros
Pesquisador Industrial do ISI-TICs
https://www.linkedin.com/in/medeirosbmo/

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