#1 O que o design tem a ver com problemas?

Este é o primeiro post da série “Entender o design através dos problemas”.  Esta série visa apresentar o papel do design dentro do processo de entendimento dos problemas revisitando importantes teorias do design. Discorrerá sob a caracterização do design como disciplina e de sua contextualização em relação aos problemas emergentes da sociedade seguindo até aos super wicked problems.

 

 

Fry (2008) apresenta o design como um processo contínuo no qual o ser humano modifica o mundo, consciente ou inconscientemente, repetidas vezes. Esse fluxo é um processo circular de problema-solução que nunca retorna ao ponto inicial. Neste ponto, considera-se que as questões de um projeto transformam-se durante a execução, expandindo continuamente o entendimento do problema, e, desta forma, o conhecimento e a atuação do design.

A primeira definição reconhecida de design foi feita ainda na primeira metade do século XX, por Moholy Nagy (1895, 1946), professor da Bauhaus e fundador da escola que veio a se tornar um dos maiores institutos de design do mundo, o IIT Institute of Design, localizado em Chicago, Estados Unidos.

“O design tem inúmeros entendimentos. É a organização, em um equilíbrio harmonioso de materiais, procedimentos e todos os elementos que tendem a uma determinada função. O design não é uma fachada ou uma aparência externa. Em vez disso, deve penetrar e compreender a essência dos produtos e das empresas. Sua tarefa é complexa e completa. Integra os requisitos tecnológicos, sociais e econômicos, bem como as necessidades biológicas ou os efeitos psicológicos dos materiais, a forma, a cor, o volume ou o espaço. A formação do designer deve contemplar tanto o uso de materiais e técnicas quanto o conhecimento de funções e sistemas orgânicos.”

Observa-se na afirmação de Nagy que a base na qual se construiu o design já existia. Um conjunto de técnicas e conceitos orientam uma criação que deve transcender o produto, integrando questões sociais e até possíveis efeitos psicológicos. A partir deste ponto, com o passar dos anos, o desenvolvimento do design recebeu influências de sua aplicação em diferentes contextos e junto a expansão dos problemas que buscava resolver.

Estudos sobre a compreensão dos problemas de design, sua estruturação e evolução indicam que essa expansão contínua de atuação é diretamente relacionada a dificuldade de estabelecer uma visão completa da questão projetual, resultando na existência de inúmeras soluções possíveis para o mesmo problema. Esta divergência, ocasionou na criação de diferentes de ferramentas de design que faz uso das perspectivas profissionais num contexto multidisciplinar para melhor construir a problemática e otimizar a obtenção de uma solução.

Deste modo, a expansão leva o design a problemas cada vez mais complexos. Problemas chamados de wicked problem, uma vez que suas formulações não têm contornos definidos, o que significa que, para estes problemas não existem “soluções” no sentido de respostas objetivas e irrevogáveis (RITTEL; WEBER 1973).

No próximo post, trataremos “O Design como ciência”. O design como alvo de estudo científico.

 

Yvana Alencastro
Designer de Inovação do ISI-TICs
https://www.linkedin.com/in/yvanaalencastro/

 

FRY, T. Design futuring: Sustainability, ethics and new practice. Oxford: Berg Publishers Ltd., 2008, 256 p.

RITTEL, H.W.J.; WEBBER, M.M. Dilemmas in a general theory of planning. Policy Sciences, v. 4, Iss. 2, p. 155-169. 1973

 

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