Como a Tecnologia Blockchain Tornou Possível a Criação de DAO’s

Nos últimos anos a popularidade da tecnologia blockchain cresceu significativamente. Seu  conceito  foi apresentado em novembro de 2008 com a publicação do artigo Bitcoin: A Peer-to-Peer  Electronic  Cash  System por  um  indivíduo  com  o  pseudônimo  de  Satoshi Nakamoto. Apesar de seu desenvolvimento ainda não ter alcançado um alto nível de maturidade, já é considerada por muitos especialistas como uma tecnologia com alto poder disruptivo, visto que possui o potencial impactar profundamente a forma como a sociedade se organiza.

Uma das aplicações mais inovadoras da tecnologia que surge nesse sentido são as Decentralized Autonomous Organizations (DAO’s), que basicamente são organizações formadas por uma rede de smart contracts interconectados e executados  em uma rede blockchain, e que são capazes de desempenhar as mesmas funções que as organizações tradicionais. Embora o surgimento dessas organizações tenha sido bastante recente, sua ideia não é necessariamente nova. Foi criada a partir de pesquisas desenvolvidas por Nick Szabo em meados da década de 90. Em seus estudos, Szabo previu que a revolução digital mudaria drasticamente a forma como as pessoas fazem contratos, e que em um futuro muito próximo os smart contracts seriam essenciais para a economia e poderiam ser utilizados para realizar transações financeiras, propriedade ou qualquer outra coisa de valor. Para entender como as DAO’s funcionam é preciso analisar a questão sobre três aspectos fundamentais:

 

O que acontece?

Smart contracts são como qualquer outro programa, então é importante que eles atendam às necessidades dos stakeholders envolvidos. Sendo assim, as regras ali contidas devem ser bem definidas e não possuir as ambiguidades da linguagem natural.

 

Como é disponibilizado?

O contrato é criptografado e disponibilizado para outros computadores através de uma rede blockchain. Esse processo pode ocorrer utilizando-se plataformas públicas, privadas ou híbridas.

 

Como é processado?

Cada computador recebe o código e processa de forma individual para chegar a um acordo sobre o resultado. O papel da rede é atualizar o blockchain para armazenar a execução e checar se tudo ocorreu de acordo com os termos do contrato.

Esse tipo de organização chama atenção pelo o seu alto grau de independência, além disso os humanos não possuem papel central na organização, já que é projetada para funcionar por meio de algoritmos e sem a estrutura de gerenciamento tradicional. Sua estrutura normalmente é idealizada e mantida por uma comunidade de desenvolvedores ao redor do mundo, de fato, a principal filosofia que rege os princípios desse tipo de organização é a característica de nunca pertencer a uma pessoa ou local específico.

As DAO’s poderão também afetar os processos de governança corporativa como conhecemos hoje nas organizações tradicionais, pela forma como as DAO’s se estruturam é possível reduzir custos, deixar o processo de tomada de decisões mais transparente, diminuir a quantidade de interferências humanas e erros relacionados aos processos organizacionais, combater fraudes e censuras, além de distribuir riquezas de uma forma mais igualitária.

Apesar de todo esse potencial a tecnologia blockchain não pode ser considerada uma bala de prata que solucionará todos os problemas relacionados a governança corporativa, uma de suas principais limitações é o fato de que apesar de haver várias DAO’s em funcionamento a tecnologia ainda se encontra em um baixo nível de maturação, o que pode comprometer seu uso em larga escala no sentido de substituir as soluções tradicionais no curto prazo, além disso em muitos casos não existe uma legislação específica que atenda as demandas do mercado.

A cada dia essa ideia atrai a atenção de novos entusiastas e acredita-se que esses problemas tendem a ser resolvidos à medida que sua aplicação se tornar mais difundida.

 

Por Bruno Medeiros
Pesquisador Industrial do ISI-TICs
https://www.linkedin.com/in/medeirosbmo/

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