O mapa para um país mais inovador

Especialistas reunidos no 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria e pesquisas indicam as rotas para que pequenas, médias e grandes empresas adotem a cultura da inovação e transformem seu padrão de produtividade

A lista é comprida, mas serve como um mapa para levar a produtividade brasileira a um lugar muito melhor. Começa com a qualificação da mão de obra e logo passa pela geração de políticas públicas, pela facilitação e ampliação do acesso a financiamentos, pela redução da burocracia, pela aproximação entre empresas e universidades e por uma maior integração comercial com o mundo.

Esses são alguns dos principais desafios para estimular a inovação no Brasil, segundo a opinião de especialistas e palestrantes do Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado nos dias 10 e 11 de junho em São Paulo, que contou com 72 palestrantes e média de 3 mil participantes em cada dia. A síntese é também integralmente apoiada por dados de uma pesquisa recente encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Palestrante do congresso, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Ultrapar, Pedro Wongtschowski, considera que a construção de um ambiente de estímulo ao empreendedorismo e à inovação favorecerá não só a economia, mas o diálogo entre empresários e trabalhadores.

Ele defende a união entre governos e o setor privado como passo fundamental para o Brasil avançar na área de pesquisa e inovação. “É preciso elevar a agenda pública e privada para priorizar e dar longa estabilidade ao esforço pela inovação. Precisamos, também, trabalhar incansavelmente pela redução do déficit tecnológico atual, que separa as empresas brasileiras das práticas mais avançadas”, diz Wongtschowski, que é um dos líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).

Para Younsuk YS Chi, presidente da empresa holandesa Elsevier, a inteligência artificial vai permitir às empresas fazerem melhor seu trabalho sem descartar a atividade humana.

“No final das contas, não usamos inteligência artificial para substituir o processo de decisão profissional, mas para melhorá-lo. Nós permitimos que advogados consigam avaliar melhor e ganhem mais causas e que pesquisadores encontrem a cura do câncer mais rápido”, explicou Chi, durante sua palestra.

Cofundadora e diretora de Operações da PackID, Caroline Dallacorte afirma que o desafio inicial das empresas é adotar, definitivamente, a cultura da inovação. “A inovação deixou de ser opcional e hoje é obrigatória para quem deseja ser competitivo no mercado”, afirma a empreendedora, que também é professora na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), em Santa Catarina. Para Dallacorte, é preciso, ainda, capacitar a mão de obra para trabalhar com projetos de inovação. “Quanto mais estimularmos esse perfil profissional, melhores serão os resultados”, aponta.

Diante das mudanças no modo de produção provocadas pelo avanço tecnológico, ela afirma que o Brasil está atrasado em algumas áreas, sendo necessário aumentar os investimentos para recuperar o tempo perdido. Entre 2011 e 2018, o país perdeu 17 posições no Global Innovation Index e passou a ocupar a 64ª posição no índice comparativo de países. Entre outros competidores globais brasileiros, a Rússia está na 47ª  posição e a Índia, na 57ª colocação.

“Estamos realmente atrasados e precisamos inovar muito mais”, avalia Ricardo Pelegrini, sócio-fundador da Quantum4 Soluções de Inovação, empresa de consultoria e serviços de inovação. “Estamos vivendo, hoje, uma transformação digital cognitiva gigantesca. Nunca houve uma transformação tecnológica como a que estamos vendo hoje. Tudo acontecendo ao mesmo tempo”, analisa. Segundo ele, “o país precisa estar conectado com essa transformação tecnológica, digital e cognitiva e utilizar esse ferramental no processo de inovação”.

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vai na mesma linha. “Inovar é um imperativo da concorrência. O mundo se transforma numa velocidade espantosa. Nossa forma de pensar é quase sempre linear. Temos dificuldade em lidar com processos exponenciais”, avalia. Para Pacheco, “a redução drástica dos custos de banda larga, computação e armazenamento de dados está fazendo com que uns ultrapassem outros mais rapidamente”, o que vale não só para a competição dentro do Brasil, mas entre o país e outras economias também.

O dirigente da Fapesp considera que é preciso agir mais rápido porque “o mundo não nos espera, mas, ao contrário, nos deixa para trás”. Ele acredita que há uma avalanche de tecnologias disruptivas que, quase sempre combinadas entre si, estão mudando a realidade de forma muito acelerada.

“Essas tecnologias alteram profundamente a forma como se organiza a produção e toda a cadeia produtiva. Elas estão no centro da chamada transformação digital das empresas e têm promovido a abertura de novos negócios e novos setores”, diz.

Além disso, continua Pacheco, é preciso entender que há empresas ainda muito defasadas e que não estão preparadas para absorver essas novas tecnologias. “Para essas empresas, é preciso pensar na difusão de tecnologias já bem conhecidas, como manufatura enxuta, que pode trazer muito bons resultados, como os já demonstrados pelo programa Brasil Mais Produtivo, por exemplo”, destaca. Cumpridas essas duas tarefas, ele acredita que o passo seguinte seria estimular a competitividade, a melhoria do ambiente de negócios e a maior integração comercial com o mundo. “Somos muito abertos ao investimento direto estrangeiro, diferentemente de outros países, mas somos muito pouco integrados ao fluxo de comércio mundial”, analisa.

Ricardo Dias, cofundador da startup CUBI Energia, também destaca que o cenário é bastante heterogêneo na indústria. “Muitas empresas têm focado na conectividade de suas operações (a que chamam de indústria 4.0), outra parcela foca em alavancar o potencial de análise de dados utilizando todas aquelas ferramentas em hype, como machine learning, data mining, Big Data e inteligência artificial, com objetivos diversos. Além dos desafios óbvios de implementação dessas inovações, vejo que a segurança digital será um desafio cada vez maior pelo fato de a crescente massa de informações sensíveis estar transitando por redes sem fio”, afirma Dias, que fez mestrado no Rochester Institute of Technology, em Nova Iorque (EUA).

Para Horácio Lafer Piva, presidente do Conselho de Administração da Klabin, entre os maiores desafios para a indústria nacional está o de “aceitar que não são mais meras linhas de montagem que fazem uma fábrica, mas sim a adesão ao conceito 4.0 com uma ampla integração entre serviços e máquinas, administradas por pessoas que contenham hard e soft skills, e cujo desafio está em superar obsolescências em prazos cada vez mais curtos”. Isso exige, segundo ele, “exposição, inserção global competitiva, coragem, espírito empreendedor, criação de redes compartilhadas, investimento e diálogo com o setor público, com a concorrência e com os pólos de desenvolvimento e de cadeias globais”.

Pelegrini, da Quantum4, resume a situação da seguinte forma: “Estamos falando de mobilidade, a parte dos celulares, redes sociais, Internet das Coisas, Big Data, realidade aumentada, impressão 3D, analytics e a parte artificial, blockchain e, chegando agora, quantum computer. Ou seja, tem uma capacidade toda de ferramental disponível gigantesco para você inovar. Isso tudo é algo a que as empresas obviamente têm que estar conectadas”. Parcerias internacionais e maior aproximação com universidades e centros de pesquisa podem contribuir para esse salto na inovação.

TENDÊNCIA ALTA – Um a cada três empresários acredita que a indústria brasileira precisará dar um salto de inovação nos próximos cinco anos para garantir a sustentabilidade dos negócios em curto e longo prazos, mostra pesquisa encomendada pela CNI com CEOs, presidentes e vice-presidentes de 100 indústrias – 40 de grande porte e 60 de médio e pequeno porte. Para 31% dos entrevistados, o grau de inovação da indústria será alto ou muito alto nos próximos cinco anos, principalmente por necessidades de adaptação às transformações do mercado. A pesquisa foi uma iniciativa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), sob coordenação da CNI, e teve dados coletados entre os dias 4 de abril e 13 de maio.

“Diante de uma nova revolução industrial, a inovação ocupa papel primordial, mais importante do que nunca. No limite, nossa capacidade de inovar é que determinará quem fica com as portas abertas e quem vai desaparecer nesse ambiente de crescente pressão tecnológica e de sofisticação de mercado. A inovação precisa ser o centro da estratégia de desenvolvimento das empresas e, sobretudo, do país”, afirma Robson Braga de Andrade, presidente da CNI.

Segundo 44% dos executivos, as atividades de inovação correspondem a mais de 20% do faturamento de suas empresas. Na primeira pesquisa da CNI sobre o tema, realizada em 2015, o percentual de empresas que previam aumentar ou aumentar muito o volume de recursos destinados à inovação nos cinco anos seguintes era de 57%; agora passou para 66%.

A nova pesquisa mostra, também, que 55% das empresas usam recursos próprios para financiar as atividades de inovação. O percentual é significativamente maior do que o aferido em 2015, quando 40% das empresas declararam usar apenas recursos próprios. Em contrapartida, diminuiu de 55% para 40% o número de empresas que usam combinação de fontes. “Os dados sugerem que a escassez de recursos públicos não deixou alternativa para as empresas além do uso de capital próprio”, afirma a diretora de Inovação da CNI, Gianna Sagazio. Segundo ela, a experiência internacional mostra a importância do investimento público para alavancar os desembolsos privados em inovação.

O levantamento mostra que, entre as empresas que não utilizaram outras fontes, mais da metade (56%) afirmaram ter dificuldade de obter financiamento. Entre as medidas sugeridas pelo setor privado para contornar a situação estão a ampliação do acesso aos fundos de financiamento (26%), a redução da burocracia (22%) e a promoção de estímulos à inovação por parte do governo (18%). Atualmente, apenas 6% dos entrevistados consideram a indústria brasileira muito inovadora. Na primeira edição da pesquisa, realizada em 2015, 14% dos empresários ouvidos avaliavam o contexto industrial brasileiro como muito inovador.

Entre as medidas que podem ser adotadas pelo governo para estimular a inovação, os executivos apontaram, principalmente, a ampliação e o barateamento do financiamento à pesquisa e ao desenvolvimento (25%) e a desburocratização de processos (21%). Olhando para a própria iniciativa privada, os empresários reconhecem a necessidade de investir mais em PD&I e em novas tecnologias (19%) e se aproximar mais de universidades e centros de pesquisa, ação citada por 14% dos entrevistados.

APROXIMAÇÃO COM UNIVERSIDADES – Para Caio Megale, secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, é preciso melhorar a conexão entre a pesquisa realizada nas universidades e as necessidades e os interesses das empresas. “Nós precisamos garantir que essa pesquisa se traduza, de fato, em inovação nas empresas, na economia. Temos que gerar programas instintivos que façam essa aproximação entre as empresas e as universidades”, afirma. Isso exige, segundo ele, uma integração entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Economia (ME).

“O MCTIC olha para as universidades, para essa pesquisa mais acadêmica e nós, aqui no Ministério da Economia, temos de olhar e olhamos mais para o valor agregado na economia. Então temos que ter um trabalho, pelo menos sob o ponto de vista governamental, bem integrado”, explica Caio

Segundo ele, nos rankings internacionais, os institutos de pesquisa e as universidades brasileiras estão bem ranqueados em pesquisas ligadas à inovação, ainda que o nível de inovação nas empresas seja muito baixo. “Está faltando uma conectividade maior para transformar essa pesquisa feita nas universidades e nos centros de pesquisa em valor agregado na economia”, destaca Megale.

BONS EXEMPLOS – “O ideal seria a academia trabalhar muito perto das empresas. Precisamos melhorar muito a mentalidade atrasada que domina nossas universidades”, afirma Franco Machado, fundador e CEO da Mogai, empresa que faz gestão de projetos de PD&I com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Sua empresa, criada em 2009, é um exemplo de como o conhecimento gerado na universidade pode contribuir para desenvolver inovações no mundo empresarial.

Localizada em Vitória (ES), a Mogai, que atua no desenvolvimento de produtos de alta tecnologia para diversos setores, principalmente indústria pesada e logística, recebeu recurso da Finep para apoiar o sistema de navegação robótica por meio do projeto Carro sem Motorista, feito com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Concluído o projeto, que não teve interesse comercial no mercado, a pesquisa acabou sendo usada para desenvolver uma tecnologia de processamento de imagens para medir, por meio de imagens em 3D, o volume de minérios colocados no pátio de uma mineradora.

“Com a tecnologia que desenvolvemos para veículos autônomos, fizemos uma câmera 3D, que era usada no carro para o carro saber onde está a rua e as pessoas e identificar buracos e irregularidades na pista. Agora, essa tecnologia serve para medir volume de pilha de minério”, diz Franco Machado.

Segundo ele, essa é a única tecnologia do mundo que permite fazer esse tipo de medição pela internet e pode ser operada por uma pessoa totalmente leiga para fazer serviços de topografia. “Estamos no esforço de internacionalização e o sistema de medição de minério virou uma outra empresa, a Olho do Dono, que serve para pesar gado. “O boi passa correndo na frente da câmera e a gente dá o peso”, explica o CEO da Mogai.

Caroline Dallacorte, da PackID, reforça: “Acredito que o modelo de aproximação de universidades com empresas, já realizado por muitos países avançados, é o caminho para alcançarmos os resultados desejados para a economia e o desenvolvimento do nosso país. Afinal, a universidade possui o capital intelectual necessário para auxiliar empresas a sanar problemas e desafios diários da forma mais viável e aplicável possível”.

Apesar de as pesquisas serem realizadas no meio acadêmico, a inovação é essencialmente uma questão empresarial, na opinião de Pacheco, da Fapesp. “São as empresas que levam os novos produtos ao mercado ou que introduzem novas formas de produzir e novos modelos de negócio. A inovação pressupõe um forte protagonismo das empresas, mas elas não operam num vazio. Elas se inserem num ambiente. Quanto melhor ou quanto pior esse ambiente de negócios, melhor ou pior será o desempenho da empresa”, diz o dirigente.

Análise semelhante faz Graciela Pignatari, sócia-fundadora e diretora da startup de biotecnologia TISMOO, que diz que aproximar empresas de universidades é fundamental. “Além de fomento, que hoje, na maioria das vezes, só acontece por meio público, essa aproximação faz com que a pesquisa seja mais sólida e aplicada, gerando um grande benefício para o Brasil. Acredito que haverá, ainda, uma aceleração na relação entre as descobertas que acontecem na universidade e as demandas empresariais”, afirma ela. “Maior investimento nas startups, além de melhora no cenário econômico nacional, estimula a inovação”, diz Graciela.

Franco Machado, da Mogai, lembra que, na Alemanha, uma parte da formação de nível técnico e de nível superior é feita dentro da indústria. “Isso força uma aproximação da indústria com a academia porque o aluno pode até não se formar. Acho essa uma excelente estratégia”, opina o empreendedor. Um bom exemplo no caso brasileiro, segundo ele, é a atuação dos Institutos SENAI de Inovação, que tem como um dos seus objetivos desenvolver soluções para inserir o setor produtivo brasileiro na quarta revolução industrial.

OS PAPÉIS DE CADA UM – Horácio Lafer Piva, da Klabin, afirma que o papel dos Institutos SENAI de Inovação, criados em 2013, foi fundamental para diversas inovações desenvolvidas nos últimos anos. “O SENAI entende como ninguém a demanda da indústria, numa dimensão histórica, porque ajudou a adequar as empresas a seus tempos ao longo dos anos, e agora, com a incorporação da inovação, traz para o macro-ambiente um enorme contingente de segmentos que, sozinhos, não saberiam o que fazer, em especial dada a velocidade com que tudo acontece”.

Contudo, para Piva, o Estado também tem uma contribuição importante. “No mundo todo o Estado tem sido parceiro, financiador, fomentador, cumprindo a parte que não pode ser alcançada pelo setor privado e dando as mãos no que pode ser compartilhado. Sem Estado não acredito num projeto de longo prazo, estrutural, bem sucedido”, diz o industrial.

Além disso, como lembrou o português Pedro Rocha Vieira em sua palestra durante o congresso de inovação, é preciso reformar e aprimorar constantemente leis trabalhistas e a política fiscal. “O Brasil também tem que promover uma maior abertura para o mercado internacional e apostar na atração e retenção de grandes talentos para o país”, diz o especialista luso, cofundador da Beta-i, plataforma dedicada a construir ecossistemas de inovação.

Para Guilherme Arruda, CEO da VG Resíduos,  o governo deveria ter o papel de criar as condições para que a inovação e o empreendedorismo avançassem. “Não acredito que o governo deva intervir diretamente na inovação com programas ou investimentos, mas sim educando nossos empreendedores e criando um ambiente propício para que o ecossistema se desenvolva”, afirma. Segundo ele, o Brasil precisa amadurecer como um todo quando se fala em empreendedorismo e inovação. “Algo já está mudando, mas o mercado no Brasil ainda vê as startups e os empreendedores como uma iniciativa isolada e não como um movimento que vai se tornar o motor econômico do país”.

A vice-presidente e CTO da Saab Aeronautics, Lisa Åbom, afirma que as empresas podem se preparar para inovar a partir de um bom plano, mantendo as estratégias definidas e contando com a ajuda da academia e de startups. “O governo, da mesma maneira, pode apoiar, fornecendo estruturas de suporte e infraestruturas de apoio. Exemplos podem ser superaglomerados governamentais para análise de Big Data que estão disponíveis para a indústria e para a academia”, explica Lisa.

Ricardo Dias, da CUBI Energia, também destaca a necessidade de criar um contexto mais favorável ao estabelecimento da inovação como prática de avanço econômico e social, ainda que isso seja complexo. “Um ecossistema que aproxime capital de risco, boas ideias, pessoas com capacidade de empreender e condições de entregar resultado: esse encontro não é nada trivial e pressupõe a entrega de diversos compromissos e serviços públicos e privados para que funcione corretamente”, opina.

Original: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/inovacao-e-tecnologia/o-mapa-para-um-pais-mais-inovador/

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