Série Novos Instrumentos: Haken Continuum Fingerboard – Parte 1

O Continuum Fingerboard é um instrumento musical digital cujo desenvolvimento começou em 1983 e foi vendido pela primeira vez em 1999. Desde então seu inventor Lippold Haken segue aprimorando-o e mantendo uma produção artesanal em Illinois/EUA para uma crescente comunidade de músicos em todo o mundo. Seu alto padrão de qualidade apresenta o que há de melhor atualmente na tecnologia musical.

Continuum Fingerboard

Continuum Fingerboard da Haken Audio. Fonte: https://www.thomann.de/

Este talvez seja o instrumento musical digital inovador que mais se assemelhe em seu propósito e processo de criação dos instrumentos musicais tradicionais, seguindo critérios de qualidade e expressividade rigorosíssimos para atender às exigências dos instrumentistas mais exigentes e virtuosos. Se trata de uma superfície emborrachada para ser tocada com os dedos na mesma postura de um tecladista, porém sem teclas, permitindo que os dedos deslizem sobre o neoprene variando continuamente três parâmetros sonoros de acordo com a posição nos eixos x, y e z.

Eixos do Continuum Fingerboard

Ilustração dos eixos de controle do Continuum Fingerboard. Fonte: https://www.hakenaudio.com

A variação da posição do dedo no eixo x permite alterar a altura musical do som, semelhante ao teclado porém sem as teclas que restringem o intervalo musical mínimo ao semitom. Como um violino, que não possui trastes em seu braço, o continuum fingerboard permite glissandos que deslizam entre uma nota e outra e um controle mais fino sobre a afinação de cada som produzido. No eixo z, para a maioria dos presets é possível alterar o timbre do som e a profundidade que se aperta costuma alterar a intensidade do som produzido, permitindo curvas de envoltória do som que respondam com precisão a forma com que a superfície é pressionada. Mas estas formas de mapeamento são apenas sugestões que cada usuário pode alterar como quiser, utilizando os controles contínuos nos eixos x, y e z para serem mapeados em quaisquer parâmetros sonoros da engine de síntese embarcada no instrumento, a EagenMatrix.

Christophe Duquesne tocando o Continuum Fingerboard na feira alemã de instrumentos eletrônicos Superbooth 2018 no lançamento da linha de amplificadores acústicos “La Voix du Luthier”

O alto grau de refinamento do instrumento dá ao instrumentista uma sensação completamente diferente de tocar a maioria dos instrumentos digitais. A alta sensibilidade dos sensores permitem um controle da nota maior do que um milésimo de semitom (0.1 cents), a latência do instrumento é inferior a 0.3 ms dando uma sensação de controle imediato do som maior do que de muitos instrumentos acústicos. Sob a superfície de neoprene, há um mecanismo complexo de varas de alumínio e molas dando um feedback mecânico ao instrumentista, facilitando o seu controle fino. Nas pontas destas varas estão ímãs cuja posição é medida com altíssima precisão por sensores magnéticos em tecnologia patenteada pelo inventor.

Grandes músicos como Jordan Rudess (tecladista da banda Dream Theater), John Paul Jones, Amon Tobin, John Williams (usado na trilha do filme Indiana Jones), Ramin Djawadi (usando-o na trilha de Game of Thrones) entre outros.

Jordan Rudess tocando o Continuum Fingerboard no show Octavarium de sua banda Dream Theater

Como se trata de um instrumento muito interessante, cujas características históricas e técnicas trazem diversos aprendizados sobre o desenvolvimento da indústria de instrumentos musicais, na próxima semana iremos publicar uma segunda parte sobre este instrumento.

 

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