Instrumentos Híbridos

Imagem: https://cargocollective.com/tensographics/Math

No post anterior, discutimos a herança gestual como um conjunto de características e funcionalidades que são transferidas de um instrumento existente para um novo instrumento musical. A conversa vai ficando mais interessante quando um novo instrumento herda características de dois instrumentos já existentes. Esse é o caso dos instrumentos híbridos.

Um exemplo clássico é o keytar, muito famoso nas décadas de 70 e 80, que é a fusão das teclas de teclado (KEYboard) com uma guitarra (guiTAR). Esse instrumento fica apoiado no corpo do músico por uma correia, do mesmo jeito que uma guitarra. Existe então o grande benefício de, com o mesmo repertório de gestos, o tecladista poder andar mais livremente pelo palco e o público vê-lo tocar o instrumento. Existe uma familiaridade para um músico que já treinou vários anos usando um teclado e, ao mesmo tempo, aumenta-se a expressividade e a conexão com a plateia.

Fonte: http://www.synthtopia.com/content/2012/09/29/james-brown-with-a-keytar-looking-super-bad/

Abaixo, levantamos alguns exemplos interessantes de instrumentos híbridos que podem servir de inspiração para a criação de novos instrumentos musicais.

O Scratchocaster, desenvolvido pela Viny ‘Lourd Son, é um instrumento que combina a forma de uma guitarra com um mixer e um toca-discos. É importante ressaltar que o toca-disco mesmo não tendo sido criado como um instrumento musical, o seu uso é muito explorado no contexto do hip hop e se tornou um verdadeiro instrumento musical.

O DRUMITAR, desenvolvido por Futureman, membro da banda Béla Fleck The Flecktones, tem o corpo inspirado na guitarra e a técnica de tocar uma bateria.

O KIMOPHONE é uma família de instrumentos desenvolvida por Kimo Lobo que mesclam um bocal de sax com um corpo parecido com a keytar.

O Ribbon Synth, um projeto de DIY feito por Dean Miller, que implementou um pad de bateria e um sensor de fita inspirado no braço fretless de instrumentos de cordas.

O modulin (sintetizador modular + violino) é um instrumento desenvolvido por Martin Molin (membro da banda Wintergatan) segurado e tocado como um violino que consiste em um sensor de fita conectado a um sintetizador modular.

Além disso, um exemplo de projeto comercial de instrumento híbrido que incorpora claramente o conceito de herança instrumental é o Artiphon. Esse instrumento permite ao usuário segurar o instrumento em posições inspiradas em violoncelo, violino, teclado e violão. Os controladores são inspirados pelas teclas do piano, cordas da guitarra e trastes.

Fonte: https://artiphon.com/

Como vimos no post sobre instrumentos musicais digitais, é possível ter uma grande liberdade na construção desses instrumentos já que não existem restrições físicas e acústicas para o controle e a produção sonora. Dessa forma, se torna mais fácil e rápido criar novos instrumentos a partir de partes de instrumentos existentes. É um grande potencial criativo ainda pouco explorado na conservadora indústria de instrumento musicais brasileira.

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