Destaques da The NAMM Show 2019 em Anaheim

Com mais de 150 mil metros quadrados de área de exposição e produtos de mais de 7.000 marcas a feira The NAMM Show 2019 foi uma excelente oportunidade para entender o que há de mais novo na tecnologia musical.

A impressão que tivemos é que são várias feiras dentro de uma só. A tradição do rock’n’roll continua como uma das mais fortes. Instrumentos como guitarra, baixo, bateria, além de amplificadores e pedais preencheram uma grande área da feira. As maiores marcas, como a Gibson, Fender, Pearl, Vox, Marshall contaram com salas especiais para demonstrar seus produtos.

A maior representante brasileira do setor de guitarras foi a Tagima, que no seu stand mostrou as linhas especiais produzidas no Brasil e linhas fabricadas na China. A fabricante de violões e instrumentos de percussão brasileira Rozini também marcou presença, investindo na internacionalização de seus produtos e inserção no mercado dos Estados Unidos.

Um outro setor da NAMM foi de instrumentos acústicos para orquestras, como instrumentos de sopro e cordas. Percebemos a grande presença de fabricantes chineses, trazendo produtos com um preço reduzido e com uma qualidade sonora cada vez maior.

O setor de áudio profissional preencheu um pavilhão inteiro com novidades em gravadores, microfones e amplificação. Um ponto de destaque foi o número crescente de tecnologias de gravação e reprodução para ambientes de realidade virtual. Marcas como a Zoom demonstraram câmeras 360 graus acopladas com gravadores com quatro microfone omnidirecionais cruzados, por exemplo o H3-VR, usados para captar todo o ambiente ao redor da câmera. Assim, é possível criar um vídeo imersivo que pode ser visto em óculos de realidade virtual e fones de ouvido.

Além disso, os softwares musicais marcaram grande presença na NAMM. Por exemplo, os VSTs (Virtual Studio Technology) são criados para sintetizar ou aplicar efeitos sonoros usando um computador e podem substituir hardwares, deixando os estúdios musicais mais enxutos. Marcas como iZotope, Celemony, MusicLab e SugarBytes apresentaram as últimas versões dos seus programas.

Em paralelo à NAMM, no hotel Hilton do lado do Anaheim Convention Center, aconteceu a conferência A3E (Advanced Audio + Application Exchange), reunindo em mesas e palestras os representantes das grandes marcas da tecnologia musical. Foi uma ótima oportunidade de diálogo e discussão do público com as marcas. Algumas sessões interessantes foram: Inovações na Síntese Modular, Novas Tecnologias para a Performance Ao vivo, Desenvolvendo Tecnologias Disruptivas: Riscos e Recompensas, O Impacto da Tecnologia de Blockchain no Mercado Musical, Avanços em Prototipação Rápida e Nova Geração de Tecnologia de Sensores.

Na feira, também pudemos presenciar um momento histórico na computação musical, com a primeira mudança radical do protocolo MIDI (Musical Instrument Digital Interface), responsável pela integração de instrumentos musicais digitais. Após 36 anos do seu lançamento o protocolo teve diversas mudanças incrementais, porém pela primeira vez se está discutindo a alteração da estrutura básica do protocolo pela associação japonesa AMEI (Association of Musical Electronics Industry) e a MMA (MIDI Manufacturers Association) composta por empresas como a Ableton, Native Instruments, Bome Software, Google, Roland, ROLI e Yamaha.

As novas funcionalidades estão ainda sob sigilo, mas estão sendo anunciadas para o protocolo MIDI 2.0: uma comunicação mais rápida, com maior definição e mantendo a compatibilidade com a versão anterior do protocolo. Na indústria de eletrônicos de consumo, uma mudança de padrões pressupõe a substituição de dispositivos obsoletos. Na indústria da música é diferente, pois os instrumentos antigos são muito valorizados e são uma preocupação central na inovação do setor manter a interoperabilidade entre produtos de diferentes gerações.

Ao lado do stand da MMA, diversos inventores puderam exibir seus produtos, ainda em estágio de protótipo ou já à venda em pequena escala. Alguns exemplos são a Bome Box, um roteador para instrumentos musicais que permite protocolos diferentes possam ser traduzidos com facilidade de um para outro. O Piano de Voyage é uma outra invenção que permite que um piano digital possa ser desmembrado em diversas peças para transporte.

Uma área da NAMM de grande destaque para o nosso grupo de Criatividade e Inovação para a Indústria da Música foi a de sintetizadores. Vimos que muitas pesquisas que fazemos e protótipos que produzimos têm uma intrínseca relação com o que está sendo desenvolvido para os sintetizadores, sejam eles analógicos ou digitais. Alguns exemplos de produtos que destacamos são: Haken Continuum, Onde, Touché, Sensel Morph, LinnStrument, Mod Duo, K-Board, BobPad, Seaboard, Blocks, Joué, Pocket Operator.

Já que são tantos e tão interessantes, nos próximos posts, vamos nos aprofundar um pouco mais nesses produtos inovadores que experimentamos na feira.

Deixe uma resposta