ISI-TICs encabeça desafios para a implantação da Indústria 4.0 no Brasil

As tecnologias digitais ainda são pouco difundidas na indústria brasileira. Em estudo desenvolvido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 58% das indústrias conhecem a importância dessas tecnologias para a competitividade, mas menos da metade as utiliza. Para desmistificar e aproximar o setor da chamada 4ª revolução industrial, a CNI e o SENAI lançaram nesta quinta-feira (15) uma carta que apresenta a visão da instituição sobre a Indústria 4.0 e uma série de medidas e iniciativas que o SENAI apoiará para o crescimento do setor e o aumento de competitividade. O Instituto SENAI de Inovação para Tecnologias da Informação e Comunicação (ISI-TICs) é um dos oito Institutos SENAI de Inovação que fazem a Aliança de Mercado Indústria Mais Avançada (I+A), responsável por gerar soluções e tecnologias para a implantação do plano de atendimento às indústrias em todo o país em busca do aumento da sua competitividade.

O avanço da Indústria 4.0 no Brasil depende de maior conhecimento, por parte das empresas, quanto aos ganhos que a digitalização irá proporcionar, advindos do aumento da produtividade, das oportunidades de novos modelos de negócio, da flexibilização e customização da produção e da redução do tempo de lançamento de produtos no mercado. O alto custo, colocado como um dos principais entraves, pode ser atenuado com a implantação por etapas. O maior acesso à informação e a identificação de parceiros ajudarão na redução da incerteza e na mudança de cultura da empresa.

Para o diretor do ISI-TICs, Sérgio Soares, muitos empresários se assustam quando ouvem falar da revolução da Indústria 4.0: “Alguns acham que a Indústria 4.0 é uma coisa de outro mundo. Pode até não ser simples, mas, seguindo alguns passos, é possível ao menos sair da inércia e introduzir a tecnologia e alguns princípios da Indústria 4.0”, comentou. Ainda de acordo com o diretor, é sabido que a indústria brasileira não acompanhou essa evolução e um dos pontos importantes a serem tratados com as empresas é o de que é preciso dar o primeiro passo. “O risco de estar defasada pode acarretar na morte de fábricas de pequeno e médio porte, por exemplo. Em especial com o mundo globalizado, que permite a chegada de produtos do outro lado do mundo competindo com produtos produzidos pelas nossas indústrias. Então a atualização das indústrias para o aumento da competitividade é uma questão de sobrevivência”, relata o líder da Aliança de Mercado I+A, Sérgio.

E é isso que a Carta da Indústria 4.0 propõe. Lançada em encontro na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), o documento reforça o compromisso do SENAI com a indústria. Há um convite para que a indústria protagonize sua revolução por meio do aumento da infraestrutura digital, do investimento e estímulo à capacitação profissional e da criação de linhas de financiamentos específicas. Para conseguir tornar as indústrias mais produtivas e entrar de vez nos trilhos do futuro, a carta indica 4 passos fundamentais a serem seguidos: enxugar processos produtivos; requalificar trabalhadores e gestores; inserir a Indústria 4.0 por meio de tecnologias já disponíveis e de baixo custo e, por fim, investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

 

Ao SENAI cabe a disponibilização de soluções e serviços em Educação, Inovação e Tecnologia vinculados à Indústria 4.0, por meio de três fases: desvendar – por meio de encontros presenciais, cursos gratuitos e avaliação de maturidade); agir – colocar a mão na massa: elaboração e implantação de plano de ação claro e realista; conectar – aqui entra a atuação dos Institutos SENAI de Inovação com pesquisadores, equipamentos e tecnologias para desenvolver com as indústrias testes, provas de conceito e protótipos.

Além da carta, o SENAI lança um portal: o SENAI 4.0. Nele será possível conferir um conteúdo voltado para desmistificar a indústria 4.0 e mostrar como torná-la possível. São oferecidos cursos on-line gratuitos para o setor, acesso direto ao portfólio de cursos, inovação e serviços pagos, que prepararão trabalhadores e indústrias de hoje e de amanhã. No portal também será possível realizar a avaliação de maturidade industrial. O empresário entra, se cadastra e responde uma série de perguntas sobre a sua empresa. Em função das respostas, a plataforma apresentará o nível de maturidade da empresa e quais serviços e produtos do SENAI ele pode contratar para atingir os próximos níveis rumo à Indústria 4.0.

 

Para ser considerada Indústria 4.0, existe uma série de características que devem ser observadas. Para pontuar, por exemplo, os níveis da implantação tecnológica, existem níveis de maturação: há a empresa que não tem nenhum tipo de conectividade e há aquela que possui equipamentos conectados, gera informações, mas a informação não é usada para tomada de decisão e operação de forma mais adequada, por exemplo. “Para ser considerada Indústria 4.0, as máquinas precisam interagir entre si, tomar decisões de como operar ou não. Uma máquina pode avisar para outra reduzir a velocidade de operação, solicitar insumos ao um setor ou mesmo a um fornecedor, definir a melhor hora de operar, levando em conta as máquinas que consomem mais energia, para que haja um consumo de energia de menor valor, ou mesmo permitir a produção de um produto único, customizado, para um pedido específico de um cliente, por exemplo”, pontuou o diretor.

Além de divulgar as ações, o momento é importante para atingir o máximo de indústrias possível. “Um dos focos do SENAI é desenvolver programas para atender milhares de empresas que estão bem mais longe da revolução, preparando-as para ir em direção ao nível 4.0. Assim, atingimos uma grande quantidade de empresas de menor porte, que vão ganhar mais competitividade, evitando o fechamento e gerando impacto social com a manutenção dos empregos. As unidades SENAI de todos os estados estão tendo o trabalho de massificar esse tipo de solução e os Institutos SENAI de Inovação, como o ISI-TICs, criam as soluções que serão levadas para as indústrias ”, reforça Sérgio.

 

Fonte: pe.senai.br/noticias/isi-tics-encabe%C3%A7a-os-desafios-para-a-implanta%C3%A7%C3%A3o-da-ind%C3%BAstria-40-no-brasil/#.WwKxIkgvyUk

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